































NAS ALVORADAS DE ABRIL
Inda brilham pirilampos,
Já o rumor pelos campos
É poético e gentil;
Lavradores por aí além
Fecundam a terra mãe.
– Nas alvoradas de abril!
É tudo do mar à serra,
Deitando a semente à terra,
Para por dez receber mil…
Comendo depois de agosto
Pão do suor do seu rosto
– Nas alvoradas de abril!
Há lindos gorjeios de aves
E há perfumes suaves
Na aragem primaveril…
Traz o pão à nossa mesa,
Todo este encanto e beleza
– Nas alvoradas de abril!
No campo e na floresta
Está a natureza em festa,
Tudo é risonho e gentil;
Mas se há lavradores bondosos
Há outros gananciosos…
– Nas alvoradas de abril!
Diz um lavrador: “Vai louro…
A rasa é pra libra em ouro,
Para menos nem um ceitil,
Se não for preço maior
Pois que isto é meu suor
– Nas alvoradas de abril!
Passa o Zé, e diz “Avaro!…
Antes de venderes tão caro
Hás de esticar o pernil!…
Para se pagar tais afrontas,
Virá o ajuste de contas
– Nas alvoradas de abril!
Joaquim Moreira da Silva in A Lira Dileta e A Lira da Rebeldia, Antologia Poética, Introdução, seleção e notas Armanda Zenhas, Prefácio Arnaldo Saraiva